Concordo, já faz muito tempo, mas consigo me lembrar da primeira vez que ouvi o primeiro disco do Resgate. Parece que foi ontem, uma amiga chegando lá em casa, colocando o vinil na agulha e sem falar nada, pediu só que eu escutasse. Nossa, aquela tarde foi minha libertação. Morando em São Luís em meados da década de 90 do século passado, acredite, não era nada fácil se libertar das convenções e das amarras musicais catedráticas, se é que você me entende. Hoje temos a internet, e se formos um pouco curiosos conseguimos descobrir bandas sensacionais com alguns cliques no ratinho da mesa. No início da minha busca por bandas que realmente importam, o que tive foi à ajuda de amigos verdadeiramente antenados e incansáveis na busca de algo simplesmente novo e diferente. Pra falar a verdade sem essas pessoas lá em meados da década de noventa do século passado, não saberia dizer o que estaria ouvindo, provavelmente surfando na mesma onda da unanimidade e do “eu sou eclético”.
Voltando àquela tarde de libertação estética, poética e musical, lembro dos primeiros acordes, "Ainda há tempo " tocava e eu sorria. As nove canções passaram como um furacão em minha mente, fez um estrago e me mostrou aquilo que eu procurava na musica.
Poucas semanas depois já estava com o vinil “Novos Rumos” nas mãos, o que não esqueço do encontro com o “Novos Rumos” é do encarte do disco, um lado as letras e do outro uma série de fotos, aquilo pra mim também foi inesquecível, não eram apenas fotos encartadas, eram registros de um movimento, algo que estava acontecendo e que de alguma forma tínhamos que fazer parte.
O Resgate sem dúvida foi minha grande influência na Carmezim (se você não sabe o que é Carmezim, uma rápida introdução, foi uma banda que eu participei), e de todas as bandas que a Carmezim gostaria de ter dividido o palco, a Resgate sem dúvida era a mais esperada, pena que não rolou...
Não dá pra falar sobre o gospel nacional sem registrar a importância de algumas bandas e de alguns discos, e Resgate sem dúvida entrou para a história desde o primeiro disco, Vida, Jesus & Rock’n Roll marcou minha relação com a música cristã feita no Brasil, e com certeza de um punhado de curiosos que se propuseram a buscar algo que realmente importa dentro desse contexto.
01. Ainda Há Tempo
Quem se vende, não pode escolher,
Qual vai ser a cor da escravidão
Não invente, não venha me dizer,
Que só havia uma direção
02. Mestre
Mestre, Mestre, querido Mestre
03. Eu passei
Perdi a conta dos tombos que eu levei
Até saber tudo que agora eu sei
O que Ele fez por mim me transformou
Na cruz mostrou o quanto me amou
04. Quem é Ele
Lembre-se dos filmes
Em que o crime não compensa
Todas as loucuras têm as suas recompensas
05. Amor Perfeito
Não foram rock's com letras dos santos
Nem formalismos que aquecem os bancos a convenção
06. Paralelo
Ninguém teria medo se a bomba fosse explodir
e se tivesse no quintal de casa um bom abrigo nuclear
o7. Ele vem
Se você pensa que o meu Deus
Ainda tá pregado
Como símbolo morto de uma morta geração
Oh! Não, você se enaganou
08. Rock da Vovó
A minha vó que me dizia: "filho não vai se arriscar,
nesse mundo tem viagens que não dá pra voltar!".
09. Sem Deus
Sem Deus o mundo é dos espertos que vendem praias nos desertos


Um comentário:
"No início da minha busca por bandas que realmente importam, o que tive foi à ajuda de amigos verdadeiramente antenados e incansáveis na busca de algo simplesmente novo e diferente. Pra falar a verdade sem essas pessoas lá em meados da década de noventa do século passado, não saberia dizer o que estaria ouvindo, provavelmente surfando na mesma onda da unanimidade e do “eu sou eclético”."
Acho que você está falando de mim, hehehe. Comprei a maior briga para tocar no rádio: Resgate, Fruto, Kats, Rebanhão, Janires, Petra e outros mais. Aliás comprei de duas formas, pois até os Lps eram meus.
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