Na contramão do sistema

Continuando listando alguns dos discos que para mim valeram a pena serem ouvidos, vou falar do segundo disco do Fruto Sagrado. Reconheço meu saudosismo, falar de “discos antigos” pode não ser muito interessante para uma ou duas ou dezenas de pessoas, entretanto é incrível como as bandas que comecei a ouvir na última década do século XX são as mesmas (e as únicas) que ainda fazem algum barulho atualmente.

Não se fazem mais discos evangélicos como “Na contramão do sistema”, na verdade nenhuma banda do cenário gospel nacional chegou aos pés do Fruto Sagrado no quesito temática. Desconheço bandas que falaram tão bem de política e questões sociais, sobretudo de uma forma tão direta como eles

Quem conhece o Fruto apenas a partir do disco “O Segredo”, conhece na verdade um outro Fruto Sagrado, apesar de terem continuado com letras sensacionais, o som perdeu um pouco a característica, não estou dizendo que isso é ruim ou bom, apenas o som deu uma diferenciada, principalmente pela saída do batera Flávio Amorim, que esteve no grupo até o acústico.

É clara a mudança rítmica da banda, os “contra-tempos meio loucos”, o som mais seco das guitarras, espaços não preenchidos nas músicas, baixo mais aparente, vocal nervoso, eram características da digamos, primeira fase do Fruto Sagrado. Reafirmo que isso não é bom nem ruim, uma banda não pode continuar para sempre com um estilo sonoro imutável

De cara o Fruto mostra com “Na contramão do sistema” que se propunha a ser uma banda antenada não apenas no “mundinho” em que muitos evangélicos se fecham, para eles o que interessava era o mundo real de verdade. Questões como racismo, desigualdade social, comercialização da fé, degradação espiritual, intelectual e moral são alguns dos temas que a banda aborda naquele disco.

No disco seguinte, o Fruto consegue dar continuidade a essa fórmula, “O que a gente faz fala muito mais do que só falar” poderia fazer parte fácil fácil de “Na contramão do sistema”, poderiam ser um disco duplo. Quem não conhece esses dois discos não conhece o Fruto Sagrado

Para terminar, devo registrar que um dos shows mais legais que a Carmezin fez, foi na lendária prévia do Arraial do Povo de Deus, na abertura para o Fruto Sagrado. É isso aí, até a próxima.

Vida, Jesus & Rock'n Roll

Concordo, já faz muito tempo, mas consigo me lembrar da primeira vez que ouvi o primeiro disco do Resgate. Parece que foi ontem, uma amiga chegando lá em casa, colocando o vinil na agulha e sem falar nada, pediu só que eu escutasse. Nossa, aquela tarde foi minha libertação. Morando em São Luís em meados da década de 90 do século passado, acredite, não era nada fácil se libertar das convenções e das amarras musicais catedráticas, se é que você me entende.

Hoje temos a internet, e se formos um pouco curiosos conseguimos descobrir bandas sensacionais com alguns cliques no ratinho da mesa. No início da minha busca por bandas que realmente importam, o que tive foi à ajuda de amigos verdadeiramente antenados e incansáveis na busca de algo simplesmente novo e diferente. Pra falar a verdade sem essas pessoas lá em meados da década de noventa do século passado, não saberia dizer o que estaria ouvindo, provavelmente surfando na mesma onda da unanimidade e do “eu sou eclético”.

Voltando àquela tarde de libertação estética, poética e musical, lembro dos primeiros acordes, "Ainda há tempo " tocava e eu sorria. As nove canções passaram como um furacão em minha mente, fez um estrago e me mostrou aquilo que eu procurava na musica.

Poucas semanas depois já estava com o vinil “Novos Rumos” nas mãos, o que não esqueço do encontro com o “Novos Rumos” é do encarte do disco, um lado as letras e do outro uma série de fotos, aquilo pra mim também foi inesquecível, não eram apenas fotos encartadas, eram registros de um movimento, algo que estava acontecendo e que de alguma forma tínhamos que fazer parte.

O Resgate sem dúvida foi minha grande influência na Carmezim (se você não sabe o que é Carmezim, uma rápida introdução, foi uma banda que eu participei), e de todas as bandas que a Carmezim gostaria de ter dividido o palco, a Resgate sem dúvida era a mais esperada, pena que não rolou...

Não dá pra falar sobre o gospel nacional sem registrar a importância de algumas bandas e de alguns discos, e Resgate sem dúvida entrou para a história desde o primeiro disco, Vida, Jesus & Rock’n Roll marcou minha relação com a música cristã feita no Brasil, e com certeza de um punhado de curiosos que se propuseram a buscar algo que realmente importa dentro desse contexto.

01. Ainda Há Tempo
Quem se vende, não pode escolher,
Qual vai ser a cor da escravidão
Não invente, não venha me dizer,
Que só havia uma direção

02. Mestre

Mestre, Mestre, querido Mestre

03. Eu passei
Perdi a conta dos tombos que eu levei
Até saber tudo que agora eu sei
O que Ele fez por mim me transformou
Na cruz mostrou o quanto me amou

04. Quem é Ele
Lembre-se dos filmes
Em que o crime não compensa
Todas as loucuras têm as suas recompensas

05. Amor Perfeito
Não foram rock's com letras dos santos
Nem formalismos que aquecem os bancos a convenção

06. Paralelo
Ninguém teria medo se a bomba fosse explodir
e se tivesse no quintal de casa um bom abrigo nuclear

o7. Ele vem
Se você pensa que o meu Deus
Ainda tá pregado
Como símbolo morto de uma morta geração
Oh! Não, você se enaganou


08. Rock da Vovó
A minha vó que me dizia: "filho não vai se arriscar,
nesse mundo tem viagens que não dá pra voltar!".

09. Sem Deus
Sem Deus o mundo é dos espertos que vendem praias nos desertos

luna

"A lua é um rebatedor"

notas olímpicas

Isso não é um texto jornalístico.

ESQUEÇA O JORNALISMO!!!!

São apenas observações (pessoais) inspiradas em algumas horas em frente à TV, vendo o desempenho dos atletas brasileiros - ou não - nas últimas olimpíadas através da transmissão dos jogos pelos canais abertos da televisão brasileira.

Não existe uma ordem cronológica das observações – ESQUEÇA AS ORDENS CRONOLÓGICAS. Apenas tentei digitar o que ainda lembrava.

As memórias são como as mulheres, complicadas.

1 – Jogos Olímpicos, uma vitrine do esporte? Ou a chance de mostrar uma hegemonia

qualquer, de uma economia qualquer? Quem na verdade desfila frente nossos olhos? Esportistas, marionetes ou políticos?

2 – Depois de “esportistas” do “mundo” todo fazerem lá suas coisas na nossa TV, agora temos que aturar cá “políticos” no horário nobre!

3 – Pergunta a delegação brasileira - As mulheres foram muito bem ou os homens foram muito mal?

4 – Como uma saltadora pode saltar sem sua vara? Acho que os chineses tem a resposta!

5 – O COB fez alguma coisa sobre o sumiço da tal vara?? Ouve alguma manifestação?? Alguém aí sabe de alguma coisa??

- Fez sim, fiquei sabendo numa nota de rodapé lida por um apresentador famoso do jornal da noite.

6 – Tenho uma teoria sobre o Rio de Janeiro ser finalista para sede das olimpíadas de dos mil e alguma coisa. Fica mais fácil de decidir entre as outras três cidades.

7 – Repórter de uma daquelas TVs Abertas que transmitiram os jogos, falando em um programa dominical que parece ter uma audiência considerável. Falava mais ou menos o seguinte:

Os chineses mostraram um primor na organização!

Não sei porque, mas eu discordo...

8 – Até onde o esporte caminha sem um projeto político nacional que passe pela educação, estruturação, ciência e etc?

Acho que não chega até 2016. Só se for empurrado pela barriga, e olha que barrigudos é o que não falta (nada pessoal).

9 – Menos de um ano do PAN, tem centros esportivos que já foram pro espaço... SALVE O ESPORTE POLÍTICO BRASILEIRO!

10 – nota 1.0

11 – o Brasil, Rio de Janeiro (para alguns o Brasil é só Rio e São Paulo, principalmente pra quem nasceu, ou se ilude no Rio e no São Paulo) quer tanto ser sede olímpica. Tem que ter coragem...

12 – Faixa em frente ao estádio municipal - “Maracanã, sede da futura final da copa de 2014”.

Até lá então!

welcome to the freak show

Olá terráqueos ou qualquer outra forma de vida que de uma forma ou de outra consiga decodificar esses símbolos. Sinceros agradecimentos e sejam muito bem vindos ao Blog Curtos Minutos. Acima segue o poema de minha autoria que dá nome ao blog.

Curtos Minutos nasce como a maioria dos incontáveis blogs espalhados pelo universo virtual, uma humilde forma de disponibilizar ou simplesmente registrar o que por algum motivo não foi registrado ou disponibilizado (...)

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